O ‘gajo’ era um chato. Actuava com a conivência da ‘gaja’ que por sua vez já tinha sido apertada pelo ‘gajo’ que falava com o outro ‘gajo’, para que eles, os ‘gajos’, não tivessem de aturar os ‘gajos’.
Parece confuso? No Face Oculta, os ‘gajos’ são todos os que não ajudam os ‘gajos’ – que são eles – e evitam que outros ‘gajos’ – que somos todos nós – sejamos prejudicados.
A excepção? Para além dos ‘gajos’, só há mesmo os amigos. Uma malha apertada onde cabiam muito poucos, curiosamente ex-governantes, que serviam para apertar os ‘gajos’.
Quem entra na sala do tribunal, para assistir ao julgamento, e ouve horas e horas de conversas entre o sucateiro e os mais ‘dignos’ gestores de empresas públicas poderá ficar baralhado.
Entre os gajos e os amigos há fronteiras ténues. E muitas vezes Manuel Godinho era obrigado a explicar aos ‘gajos’: os amigos são aqueles de Bragança, os que dão chouriços e alheiras; os ‘gajos’ são os que dizem que não aos amigos. Esses foram todos corridos.
Por:Tânia Laranjo in CM